COMPARTILHANDO ALGUMAS IDEIAS PDF Imprimir E-mail
Escrito por Washington Fonseca   
Qua, 01 de Julho de 2009 08:47

Minha ideia aqui é compartilhar com vocês minha experiência com o Sistema Ving Tsun. Durante alguns anos tenho me dedicado ao estudo de uma arte, cuja transmissão é corporal, esculpida pela civilização chinesa há milhares de anos.

 

Por falar em transmissão corporal é interessante lembrarmos que toda experiência de aprendizado inicia-se em nossa infância através do corpo. Essa exploração do nosso "eu", se dá através de erros e acertos de maneira bem espontânea.

 

Mas, na medida em que crescemos, vamos perdendo essa capacidade de exploração da nossa potencialidade. É como se com o passar do tempo nos afastássemos da nossa própria natureza.

 

Se pararmos para analisar, os nossos antepassados utilizavam os instintos emitidos pelo corpo para se protegerem, percebendo o perigo que se aproximava. Era uma questão de vida ou morte.

 

E hoje, será que temos a sabedoria suficiente para fazer uma leitura desses sinais, quando somos solicitados nas tomadas de decisões sob pressão, isto é, quando estamos em crise em nossos relacionamentos? Quando falo de relacionamento, refiro-me, desde pessoas próximas até desconhecidas que queiram até tirar nossas vidas, de um extremo a outro.

 

Nos últimos anos temos recebido inúmeras pessoas no Núcleo São Paulo da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence e o ponto em comum entre elas, é a falta de consciência corporal e consequentemente a incapacidade de ouvir o outro. Agora eu pergunto, como alguém pode relacionar-se bem se não consegue ouvir nem a si próprio? Isso no ponto de vista individual e grupal.

 

Por outro lado, não devemos achar que por simplesmente fazer uma atividade corporal estamos cumprindo com esse papel, o de educar. O exemplo disso são as nossas "atividades físicas", que na maioria das vezes fica mais para o adestramento do que para a educação de um ser humano que vive em uma sociedade que muda constantemente.

 

Por falar em mudança, assisti um filme chamado Os Falsários do diretor Stefan Ruzowitzky ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro 2008. A história se passa em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial, onde o protagonista é um artista da cópia. Ele gerencia um grupo de prisioneiros para a falsificação de documentos e dinheiro para financiar o Nazismo. Nesse contexto de luta pela sobrevivência que Salomon Sorowitsch fala para seus companheiros que é necessário se adaptar o tempo todo para sobreviverem, tanto nas relações entre eles como com os nazistas, pois a cada momento tinha uma alteração do cenario.

 

Esse no meu ponto de vista é o calcanhar de aquilies do ser humano. A incapacidade de se adaptar às circunstâncias que a vida oferece. Principalmente quando estamos em situação de desvantagem como era o caso de Salomon.

 

É justamente sobre esse tipo particular de experiência que me refiro, do conhecimento tácito, que advém da experiência vivida, que regula nossas relações. Aprendizado esse, que não pode ser transmitido pelas palavras, nos bancos escolares e nos livros.

 

Na China Antiga, esse conhecimento era transmitido de mestre para discípulo. Muitas famílias tradicionais chinesas chegavam a contratarem tutores para educarem seus filhos. Nos dias de hoje, temos poucas pessoas no mundo com esse nível de proficiência.

 

A ideia aqui não é falar nenhuma novidade, e sim o que é obvio, mas vale lembrar que as coisas mais importantes que deixamos de fazer são óbvias.

 

Washington Fonseca