| UMA REFLEXÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA E O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADE NOS RELACIONAMENTOS |
|
|
|
| Escrito por Washington Fonseca |
|
Nos dias atuais, as pessoas de modo geral buscam desenvolver-se para obterem êxito em seus projetos. Tal busca, pode vir através de uma pós-graduação, um mestrado, um doutorado, uma MBA, um treinamento com coaching etc. A meta geralmente é obter uma qualificação diferenciada para concorrer no imenso e variado mercado de trabalho. É justamente nessa correria para o aprimoramento profissional que perde-se algo de tão valioso e óbvio que é a capacidade de relacionar-se com as outras pessoas.
Por esse motivo achei muito interessante um artigo do livro “Novas Linguagens e Educação” (1), com o título de “Criatividade e inteligência emocional a 4° onda no III milênio” (2), no qual gostaria de compartilhar com vocês para fazermos uma reflexão.
“O homem nômade levou milênios domesticando plantas e animais, lidando com uma energia instintiva. Passou-se menos de dois séculos entre a descoberta da turbina a vapor até o domínio da energia nuclear.
A ciência demorou menos de dez décadas entre a descoberta do telégrafo a fio e os cabos de fibras ópticas da rede mundial de comunicação, a internet. Esses exemplos marcantes de transformações tecnológicas exemplificam as três grandes ondas civilizatórias: Agricultura, Industrialização e Comunicação.
Na primeira onda, o poder do homem foi representado pela posse da terra e pelo número de homens que podia comandar. Na segunda, o poder se dava pela posse das indústrias e se resumia ao número e à eficiência das máquinas. Na atual terceira onda, o poder do homem se carateriza pelo volume de informação que pode dominar e manipular de forma rápida, em suas máquinas rápidas que imitam e ampliam o seu próprio cérebro.
É provável que a invenção de algo na área da agricultura, máquina industrial ou computador pouco acrescente às fantásticas possibilidades do poder de transformar o homem atual.
Seguindo as tendências observadas nas três primeiras ondas, pode-se afirmar que, na 4° onda, as tecnologias e o estilo civilizatório sofrerão transformações fantásticas em intervalos menores que décadas. Esse ciclo se caracterizar por algo que o homem poderá desenvolver e guardar no interior do seu próprio ser.
É a criatividade e a inteligência emocional que estão despontando como ferramentas capazes de fazer grande diferença no poder transformador do homem do III milênio.
Os últimos cientistas agraciados com prêmios Nobel se caracterizam pela capacidade de criar alianças através de redes especializadas, acumulando e combinando conhecimento e criatividade. Acabou-se o tempo dos gênios solitários, escondidos em laboratórios e bibliotecas. As descobertas atuais estão sendo feitas por pessoas capazes de fortalecer redes de relacionamentos, mantê-las produtivas, animadas e solidarias frente a uma meta comum.
Sinergizar e compartilhar conhecimentos não são tarefas fáceis, exige-se muita capacidade de entender o ser humano nas suas necessidades mais delicadas. Entender e compreender, ter empatia e se comunicar de forma efetiva com o outro pressupõe uma profunda capacidade de reconhecer e considerar as emoções.
Este homem transformador terá que saber trabalhar a si e ao outro no mundo subjetivo, onde se formatam as emoções. Esse enfoque já é dado atualmente por varias empresas, que investem na capacitação emocional de seus funcionários, na sua preparação para atender e se fazer entendido no ambiente de trabalho”.
Avaliando a trajetória histórica mencionada pelo autor, no qual o homem passou até os dias de hoje, percebe-se que é inevitável que o ser humano desenvolva cada vez mais a capacidade de relacionar-se. Esse deveria ser o primeiro estudo indispensável a todo homem bem-criado.
Dentre as inúmeras formas para aprimorar a consciência no desenvolvimento de habilidades nos relacionamentos, o Sistema Ving Tsun têm ganhado destaque.
O Ving Tsun é uma arte marcial. Arte está associada a habilidade, expressão, etc. Enquanto marcial com a ideia de guerra, conflito, etc. Mas o que isso tem a ver para o desenvolvimento de habilidades nos relacionamentos?
Bom, o primeiro ponto a ser destacado é que o estudo das artes marciais é vivenciado corporalmente e entre duas pessoas, ou seja, esses conflitos são sentidos na pele e isso tem um diferencial muito grande no que tange o aspecto emocional. Não temos como desassociar o aspecto corporal do emocional. Quando utiliza-se apenas o aspecto do aprendizado cognitivo, em outras palavras o teórico, fica muito difícil colocá-los em prática quando o emocional está envolvido, como por exemplo nos relacionamentos que estamos expostos em nossas vidas.
Se observarmos bem o corpo humano, ele representa por fora o que somos por dentro. Essa estrutura física tem uma incrível capacidade de adaptação ou travar em momentos de tensão, pois através das caraterísticas de relaxamento ou rigidez, velocidade ou lentidão, força ou não força, consistência ou inconsistência, flexibilidade ou inflexibilidade pode ser um retrato de como lidamos emocionalmente com os desafios da vida. Por isso usar o corpo para a nossa evolução é algo muito significativo.
É nesse conflito, denominado de combate corporal que traz a tona as emoções que geralmente no dia a dia ficam mais escondidas e que por inexperiência não fazemos bom uso delas. Transformar o medo, a raiva, a agressividade e a frustração em energia produtiva não é tarefa fácil. A experiência do combate corporal possibilita que os envolvidos tomem mais consciência de forma concreta das consequências de suas ações. Dentro do combate cada movimento pode ser representado por situações da nossa vida, como por exemplo: uma palavra, um gesto, um olhar, que por trás desses atos estão carregados de intenção emocional, que no dia a dia ficam velados para os olhos menos treinado.
A tendência instintiva do ser humano em situações de crises é usar a força de forma desorientada. Mas a partir do momento em que ele vivencia o combate corporal e percebe a possibilidade de usar a força do oponente a seu favor, instintivamente faz analogias dessa experiência para as situações da sua vida.
A proposta aqui é refletirmos sobre uma das inúmeras ferramentas, que pode ser utilizada para o aprimoramento da capacidade de compreender a si e ao outro no mundo subjetivo, no caso aqui o corpo. É interessante percebermos que ficamos vinte e quatro horas do nosso precioso dia com ele, no entanto estamos sempre buscando o conhecimento fora de nos mesmos.
(2) França, Valdo. Criatividade e Inteligência Emocional. 2006. |





